Eu aceito-me. E tu?

 O assunto que trago hoje é um bocadinho off topic do que eu costumo falar aqui no blog. Mas penso que seja um assunto que precisa de ser falado, uma vez que nos toca a todos.

 Venho falar de self loathing (ou self hate) e da pressão social que sofremos para estarmos “perfeitos”. Penso que toda a gente saiba do que estou a falar, acho que todos nós sentimos essa pressão: porque achamos que somos gordos, magros, altos ou baixos, ou porque não gostamos de uma parte do nosso corpo e senti-mo-nos realmente super inseguros. Numa altura em que se valoriza imenso a diferença e em que lutamos constantemente para sermos nós próprios, e não iguais aos outros, é incrível como os nossos standards ainda são do “corpo ideal”, daqueles que vemos no instagram e no tumblr, e não o nosso próprio corpo.

 Referi-me a “nossos standards” e não aos da sociedade, porque a verdade é que nós é que decidimos ter esses padrões para nós próprios. Quantas vezes uma amiga vossa já vos disse que estava gorda e vocês acharam ridículo, que ela estava super bem? O problema não é a sociedade causar pressão, é nós não nos aceitarmos como somos, como o nosso corpo é. E muitas vezes a mudança não está ao nosso alcance.

 Posso dar-vos um exemplo muito pessoal: eu odeio as minhas pernas. São muito mais volumosas que o resto do meu corpo. Não imaginam o que já tentei para que elas diminuíssem: dietas, mil e um exercícios e abordagens diferentes no ginásio. Mas a mudança não está ao meu alcance, é uma questão de genética. É lá que o meu corpo armazena as células adiposas, e a única solução é fazendo uma lipoaspiração. E agora? Vou ficar a odiar-me por isso? Vou deixar e usar calções e saias e esconder essa parte do meu corpo? Não. Porque se eu aceitar que o meu corpo é assim como ele é, não há pressão ou standards que me consigam fazer sentir mal comigo mesma.

 Isto não quer dizer que não devemos mudar os aspetos que nos incomodam. Aliás, muitas vezes devemos, porque é por uma questão de saúde ou apenas para nos sentirmos mais confiantes. No entanto, nenhuma mudança é boa quando advém de pressões exteriores. Devemos fazer as coisas por nós e não para agradar aos outros, porque se as fizermos para agradar, nunca vamos estar satisfeitos connosco, vamos estar sempre a querer mais e mais. Por outro lado, se mudar-mos por nós, vamos sentir-mo-nos bem na nossa pele durante todo o processo – antes, durante e depois.

 Toda a gente tem inseguranças. Estão a ver aquelas pessoas que fazem bullying? Que dizem que somos isto ou aquilo? Elas são das pessoas mais inseguras, e fazem isso para se sentirem melhores com elas mesmo. Até a Kylie Jenner (que é uma deusa, num é gentji?) tem inseguranças e sofre imensa pressão para estar sempre “perfeita”. No entanto, se aprendermos a estarmos bem connosco próprios, pode vir quem vier dizer o que quiser.

 Mas todo este processo de não nos sentirmos bem na nossa pele é muito complicado e faz-nos sofrer imenso. Por isso, gostava de nos falar do projeto de uma amiga minha: ela e uns amigos criaram um projeto inspirado no Love is Louder, que tem como objetivo ajudar os jovens que se sentem marginalizados, numa abordagem de jovem para jovem. É um espaço onde podem falar das vossas inseguranças ou de algum problema (anonimamente, se preferirem), pedir conselhos, têm playlists do dia pensadas para o dia da semana em que nos encontramos, com o nível de energia e a vibe adequadas, e têm gente por trás deste projeto que já esteve na nossa pele, nos compreende e não nos julga. O projeto chama-se Powerful Reverie, é so clicarem no nome que vão diretamente até lá.

 Espero que vos tenha ajudado com o meu desabafo, nem que seja a não se sentirem sozinhos. Aqui vos deixo com uma fotografia que nunca tinha tido coragem de partilhar porque “a minha barriga tem dobras de eu estar sentada” Ridículo, right?!

IMG_6765.JPG

 Estejam à vontade para partilhar alguma coisa aqui na caixa dos comentários ou na minha página do facebook/instagram.

 Beijinho e até à próxima!

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